Tive uma oportunidade de manter, há pouco tempo, um diálogo com um colega de trabalho. Dizia ele estar um tanto incomodado, pois tendo uma personalidade séria e introvertida, e considerando a sua forma de ser como sendo a correta para nosso ambiente de trabalho, se queixava sobre outro companheiro nosso que, ao contrário, tinha personalidade totalmente diferente, adorando uma informalidade e uma extravagância.....Salientei que isso tinha suas vantagens. primeiro, que ele também obtinha seus resultados, e logo contribuia para a busca do objetivo da organização, comum a todos nós. Segundo que via o mundo de uma forma diferente, e por diversas vezes chegava com uma solução ou idéia inusitada sobre problemas que considerávamos impossíveis.
Mas por fim, salientei que ele era bom para ele mesmo, para a empresa e também para nós, pois tínhamos um excelente exercício diário que nos exigia aprimorar e desenvolver nossa capacidade de lidar com as diferenças. E ao mesmo tempo que isto é difícil, é extremamente necessário.
Relendo um clássico da literatura, a famosa "Perestroika" de Mikhail Gorbachev (Best Seller, 1988), destaquei um passo importante da história daquele país, a adoção da idéia de fazer parte de uma comunidade "global" pelos olhos do seu líder que promoveu uma revolução e tirou a nação da reclusão total:"Temos insistido na necessidade de um diálogo amplo, no qual nossos pontos de vista possam ser comparados, debatidos e discutidos. Este tipo de confronto estimula a criatividade e evita que os povos permaneçam presos a modos de pensar convencionais. (..) O diálogo poderá ser um fator importante na internacionalização das novas idéias. O diálogo entre povos de diferentes mundos, povos de diferentes sistemas de vida, com diferentes idéias, é muitíssimo importante. Se estiverem unidos pela mesma preocupação com o futuro da humanidade, sejam quais forem as diferenças de opinião que os separem, acabarão, sem dúvida, por encontrar pontos de contato e interesses comuns, pelo menos em relação às questões mais prementes. E aqui temos um bom exemplo para todo o mundo" (p.177).
Hoje, uma nação que era decadente no pós guerra fria, ao entender como lidar e fazer valer as diferenças, se incorporou ao BRIC, grupo considerado pelo banco de investimento americano Goldman-Sachs em 2004 a aposta mais promissora para qualquer investimento, e do qual fazem parte também Brasil, Índia e China.
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