Como se não bastasse esta noção que geralmente o formando não tem, ou se tem desconsidera, sobre o quanto é preciso de esforço para o acompanhante acompanhá-lo, muitas vezes também em seu vasto mundo do merecimento, crendo naquele auge de sua vida que atingiu um patamar que o coloca acima de tudo e de todos, não se preocupa em valorizar minimamente também a própria cerimônia, e o quanto pode ser importante aquele momento para seu futuro imediato.
Vamos ao fato: é trivial que momentos solenes estejam acompanhados de responsáveis pela entidade e seus respectivos convidados ilustres. Na mesa de autoridades (porque será que tem este nome?), somam-se docentes e administrativos, figuras ilustres da sociedade e políticos. Ao anunciar, especificamente, o representante da Prefeitura local, alguns dos alunos, certos que estavam arrasando, tentaram iniciar um coro de vaias. Sem sucesso, como resultado, obteve-se tão somente embaraço. Da escola, por ver seu convidado sem jeito. Do convidado, por ser surpreendido pela condição, não esperando aquela situação dentro da casa do anfitrião. Dos alunos, que conseguiram seu minuto de fama em um momento solene, mas não com a imagem que almejavam. Dos demais alunos que, partilhando ou não da opinião, se limitaram a ver as atenções até então dedicadas a eles serem desviadas para um momento de "ideologia solene". E de pais e convidados, que esperavam ver brilho, mas tiveram a angústia de esperar por um desfecho desagradável, esperando alguma manifestação complementar, quer dos alunos, do convidado ou da escola, o que com certeza apenas contribuiria para aumentar sua tortura de estar ali acompanhando uma solenidade maçante, que talvez se convertesse em um circo, estando ao centro do picadeiro seu filho, esposo, pai ou outro ente querido qualquer.Aos demagogos de plantão: Liberdade de expressão é fundamental. Como blogueiro, defendo e pratico a idéia. Mas liberdade é por muitas vezes confundida com libertinagem. Posso não gostar de determinada pessoa, mas se vou a casa de um amigo e ela está lá, ou tolero sua presença ou me retiro. Arbitrário seria insistir ao dono da casa que retire o "indesejado", ou ainda pior, manifeste minha opinião do que penso do fulano na frente do dono da casa, criando amplo embaraço a todos presentes. Ter liberdade exige a maturidade de saber quando posso usufruir dela, sob pena de esbarrar na máxima de que meu direito acaba onde começa o do outro.
E por fim, política também é bem vinda. Política, não politicagem. A primeira é um ato de cidadania. A segunda, não merece comentários ou definições. E um aluno que ingressa agora no mercado de trabalho, sabendo das restrições e dificuldades, opta por agir publicamente manifestando opiniões com ações agressivas em momento impróprio? Que pensaria você, tendo a chance de empregar um destes indivíduos, sabendo que sem o menor pudor pode manifestar seu desgosto com um de seus clientes dentro de sua loja porque simplesmente não gosta dele? Profissionalismo muitas vezes exige suplantarmos as opiniões pessoais. Isto não significa concordar com atos impróprios, gostar de determinadas pessoas ou se render ao sistema (como possivelmente classificariam os mais radicais), mas tão somente condicionar respeito a cada ato seu do dia a dia.
E quanto aos alunos da vaia: em outubro próximo, terão a oportunidade de fazer valer seus sentimentos. Espero que nenhum deles, tão ávidos por se mostrar "cidadãos" inconformados com a situação de seu município, esqueça de seu título de eleitor. Nem escolha seus candidatos por motivos pífios. Nem despreze os vencedores, pois estes representam a maioria que democraticamente fez sua escolha. Respeito pelos demais é condicionante de quem almeja liberdade!
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