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domingo, 9 de setembro de 2007

Qual educação?

Para os profissionais que estão entrando no mercado de trabalho, é indispensável saber que o caminho será turbulento. Afinal, todos os anos, o país prepara um contingente absurdo de novos profissionais, que irão disputar com os antigos profissionais já inseridos no mercado de trabalho, pela possibilidade de atuar ou não.

Os cursos superiores são uma amostra clara que o país não incentiva bem o preparo de seus futuros trabalhadores. O CAGED, braço do ministário do trabalho responsável por apurar as estatísticas do mercado, publicou em seu último relatório (2004) que 50% das vagas criadas no país estavam vinculadas a cursos de nível médio, os chamados técnicos. Mesmo assim, o orçamento da união, no novo governo, disponibilizou um contingente elevadíssimo para federalização de universidades particulares e criação de novas universidades federais. Enquanto o país demanda um profissional de ação, investimos tão somente nas atividades liberais, inviabilizando muitas vezes o investimento de novas empresas por falta de mão de obra.

A consultoria Accenture publicou em 2006 pela notória revista Você S/A que 50% de suas vagas levavam mais de 6 meses para ser preenchidas, sendo que algumas, passados dois anos, ainda não tinham obtido candidatos. Em algumas consultorias que executei, principalmente no interior, faltam candidatos, e mesmo um campeão de contratação, o SINE, vem tendo dificuldades em encontrar bons profissionais.

Falo em minhas palestras do caso dos profissionais formados para atender empresas como a Olivetti, por exemplo, há alguns anos atrás. Imaginemos o bom profissional preparado para ocupar o posto de técnico de manutenção de máquinas de escrever. O que aconteceu com ele? Ou então os administradores que almejam posições executivas.

Só em Santa Catarina, mais de 30 cursos são oferecidos, preparando em média 80 novos profissionais por semestre cada um, totalizando 5000 novos profissionais, entre uma greve e outra das federais.... Vamos transferir a realidade de lá pra São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, dentre outras grandes capitais. Quantas empresas tem sido abertas por lá que conscientemente tem absorvido tais profissionais em cargos executivos? Quantos destes profissionais escolheram sua profissão conscientes, no auge de seus 17 anos, ostinados para ocupar e honrar sua profissão, por gostarem e quererem exatamente isso pro seu futuro?

Enfim, tudo mostra que cada vez mais temos obcecado nossos estudantes a procurar opções saturadas ou de destino incerto no mercado de trabalho, o que, com certeza, custará caro no futuro. Currículos escolares desatualizados, com professores despreparados e mal-remunerados, além de tantas outras mazelas que não deixam nossos alunos levar o ato de estudar a sério.... Desse jeito, só estaremos conseguindo preparar novos presidentes (e outros cargos eletivos) para o nosso querido Brasil.

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