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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Dívidas

O brasileiro vive um momento atípico. Nunca, na história do país, se deveu tanto. A lástima é que, apesar das notícias estarem prementes nas associações comerciais e Câmaras Lojistas de todo o nosso território, nada é feito para reduzir o tamanho do problema. Muito pelo contrário, temos a doce sensação de viver no paraíso, beneficiados com o tesouro máximo da condição capitalista: o Crédito.

Antigamente restrito aos grandes centros, agora até mesmo em pequenas cidades do interior você não tem como caminhar, sem ser bombardeado em segundos pelas mais variadas ofertas: dinheiro rápido, seja para universitários, idosos, pensionistas, autônomos, sem consulta aos sistemas de proteção de crédito, para pagamentos em 10, 100, 200 vezes. Taxas de juros baixinhas (?), e por aí vai toda a ladainha.....

Costumo comentar que o Brasil sabatinou sua sina na colonização. Enquanto tivemos um programa de exploração desenfreado, do tipo "consumir o quanto puder", nossos colegas distantes no mesmo continente tiveram a idéia de construir, desbravar, colonizar.... e de lá pra cá a coisa só piorou pro nosso lado.

Como culpar os corruptos do planalto, quando nós, em proporção menor, nos corrompemos da mesma forma? Quando somos seduzidos pelos iPod´s, TV´s de Plasma, DVD´s, sem se importar com a responsabilidade imposta pelo contracheque? Quantas vezes já ouvimos (ou quem sabe até dissemos) que o salário é uma vergonha, mal começa o mês e ele já acabou, ou ainda, chega de exploração, quero algo que pague melhor? Tudo isso pela falta de limites. Tudo pra não assumir que nossa capacidade de gasto é limitada. Tudo pela máxima "dessa vida não levo nada", achando realmente que seremos salvos pela redenção divina em uma outra vida, sem se importar se os credores baterão à porta de nossas famílias...

E o pior é que o benefício da mudança de postura é grande, visível e imediatista. Quem compra um carro dito "popular", hoje, em 60x, terá pago duas vezes o que ele vale, ao final de 5 anos. Já, quem aplicou o montante na bolsa de valores, conseguiu dobrar o valor ao final de 3 anos. Ou seja, ao final de 3 anos, compraria o mesmo carro zero, sem desembolsar um centavo....

Lógico, não fomos ensinados a poupar, muito menos investir. Mas assim como deixar a bebida ou o cigarro, acabar com os gastos excessivos é uma questão de querer. Este é o primeiro passo. Conheço pessoas que tem apartamentos, automóveis e bons salários. Mas seu passivo é gritante, e rolam empréstimo atrás de empréstimo para manter o "status". Vivem buscando manter a imagem, rolando o problema para um futuro, que nunca chega... Imagina o que o vizinho pensará de mim se me vir sem carro? E eu respondo, e o que ele pensará ao ver o oficial de justiça bater em sua porta pra tomá-lo?

Não caia na armadilha. Se alguém vier lhe dar os parabéns pois seu perfil lhe garante ter um crédito excepcional, agradeça e lembre ao falador que isto foi porque até agora você não pegou nada emprestado de ninguém, e sua imagem só permanecerá assim se continuar resistindo às tentações. Afinal, não importa o TER. Valorize o SER. Seja responsável. Seja visionário. Seja... você. Para isso, o que você tiver não fará a menor diferença....

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