A reportagem traz números assombrosos da França. São mais de 150 mil tentativas por ano, onde 11 mil acabam tendo sucesso. E incrivelmente não são os números mais expressivos, havendo no Japão um índice ainda maior.
Isto só vem comprovar que o mundo inteiro tem vivenciado mudanças severas em seu padrão de trabalho. O exemplo é interessante pois mostra uma das indústrias mais rentáveis do mundo, a automobilística, que tem batido recordes de produção anualmente, e que tem se dado ao luxo de ampliar valores seguidamente. Fiz um levantamento de 3 carros ditos populares em Janeiro. Todos na faixa de R$ 24 mil. Hoje, não saem por menos de R$ 29 mil. Mais de 20% de aumento!!!! Pergunto: seu salário aumentou isso? Os tributos aumentaram isso? A mão de obra ou matéria prima teve esta diferença? Sabemos a resposta. Não. Mas veja se isto reduziu de alguma maneira o volume de vendas...
Assim, não adianta reclamarmos. A pressão existe. E será cada vez maior. De quem é a culpa? Tive acesso a um manifesto de um grupo partidário socialista. Respeito sua opinião. Para eles, a culpa é desta maldita ideologia neo-liberal que visa apenas o lucro pelo lucro, forçando as pessoas a ultrapassar seus limites. Lindo discurso. Muito fácil para manter nossa consciência tranquila e nos eximir da responsabilidade.
Pergunte a este grupo se muitos deles não tem o carro do ano? Enquanto tivermos esta compulsão por comprar, gastar, consumir, dispostos a trocar de carro, de apartamento, de telefone, constantemente, e haverá quem esteja no páreo para fornecer. A culpa da pressão? É nossa. Vivenciamos um modo de vida consumista. Exigimos cada dia mais qualidade. Mais ítens personalizados. Somos consumidores infiéis. Trocamos o mercado da esquina pelo hipermercado pois nele os ítens são mais baratos (?). Exigimos e exigimos e exigimos.... Impomos a pressão no fornecimento. Recebemos ela de volta no ambiente de trabalho. Assim, queremos produtos e serviços melhores? Vamos estudar, nos desenvolver, crescer. Esperamos mais dos outros, mas estejamos conscientes que muitos também esperam mais de nós. É dar para receber.
Não terei aqui palavras lamuriosas. Lamento o ocorrido na França, bem como os casos brasileiros e demais acontecimentos similares em todo o mundo. Pena que são em vão, pois não mudam em nada nossa situação. As pessoas envolvidas neles, lamentavelmente, não tiveram a coragem suficiente para mudar. Porque, ao invés do suicídio, não largaram seu emprego? Porque não abriram um pequeno negócio? Porque não pediram aumento? Sabemos o motivo. Porque não queriam deixar seu "status". Morreram por ele. Morreram pela continuidade do sistema que achavam que derrubariam com o ato covarde do seu suicídio, deixando familiares, parentes e amigos, sozinhos na batalha do dia a dia. E a vida segue....
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