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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tamanho não é documento

Estive verificando a listagem das empresas eleitas este ano como os melhores locais para se trabalhar, publicados pela Revista Você S/A, fruto de um amplo trabalho de pesquisa do Instituto Great Place to Work, entidade norte-americana extremamente respeitada, que realiza pesquisa similar para outras grandes publicações de âmbito mundial, dentre elas a revista Fortune.

Muitos detalhes chamam a atenção, e quero hoje destacar um ponto importante, alvo de recentes conversas entre alguns ex-alunos com os quais tive o prazer de conviver. Dizia um deles há pouco tempo que não há como ser feliz no ambiente de trabalho, quando você está em uma empresa miúda, pois nas grandes corporações, é tudo grande, é tudo pomposo....

Hmmm.... Seria verdade?

Vejamos: na própria página do Instituto (www.greatplacetowork.com.br) é possível ter acesso às principais informações da pesquisa. Não sei qual critério adotar para considerar uma empresa uma "grande corporação", então tomei a liberdade de considerar sob tal adjetivo aquelas que destaquem em seu quadro funcional mais de mil empregados. Nos resultados de 2007, reparem que apenas 27 delas ultrapassam esta marca de empregados registrados. E as que ultrapassam, o fazem com marcas monumentais, tendo algumas mais de 9 mil pessoas, outras superiores a 30 mil registrados.

Já o contrário, tratarei de classificar pelo adjetivo de "pequenas corporações", para manter um parâmetro comparativo. Aqui incluí aquelas que contam entre uma e duas centenas de colaboradores. Na listagem da pesquisa, as organizações que atendem tal parâmetro somam 19 no total.

Pois bem, estabelecido o critério, decidi olhar para o histórico. Em 2006, nesta mesma pesquisa realizada pelo mesmo instituto, o número de empresas que atendiam o conceito de grandes, ou seja, com mais de 1000 empregados, era 31, enquanto apenas 17 atendem pela classificação de pequenas, ou seja, contendo entre 100 e 200 colaboradores.

De 2005 pra trás, a pesquisa considerou número maior de organizações na estatística, dando destaque para as 150 melhores colocadas. Neste ano especificamente, se contabilizava 54 empresas grandes para 19 pequenas. Já em 2004 foram 61 grandes e 19 pequenas.

Agora se repararmos os números, observamos uma certa tendência, que longe de ser definitiva, levanta pelo menos a hipótese que há um direcionamento sendo tomado pelo mercado. Repare na proporção:

Em 2007 - havia 1,42 grande para cada pequena
Em 2006 - havia 1,82 grande para cada pequena
Em 2005 - havia 2,84 grande para cada pequena
Em 2004 - havia 3,21 grande para cada pequena

Em números absolutos, há uma redução simplória. Mas na proporção destacada acima, podemos notar claramente um movimento pela preferência ao trabalho em menores organizações. Tal tendência é justificada no alto índice de cisões nos últimos anos, com a terceirização de diversos setores em grandes corporações. Esta tendência organizacional tem sido amplamente difundida nos periódicos enfocados em gestão corporativa. Afinal, é melhor lidar com pequenos grupos de pessoas, garantindo assim o relacionamento entre as equipes, do que manter uma estrutura informalizada, onde colaboradores são apenas números. A qualidade de vida passa pelo ambiente de trabalho, e este levantamento reforça, possivelmente, que há uma busca dos bons profissionais, justamente os que tem desenvolvido ótimos ambientes para se trabalhar, em estarem cada vez mais concentrados em pequenos grupos. Nas listas em questão observa-se amplo número de subsidiárias e filiais de grandes organizações. Já, curiosamente, as gigantes que aparecem repetidamente na pesquisa, se concentram no setor bancário.

Assim, será que é mesmo preciso ser grande para ser eficiente? Não sei, mas considerando o fato acima, decididamente, não é preciso ser grande para ser feliz no trabalho!!!

Curiosidade: nem sempre o modelo da roupa servirá em dois modelos diferentes, certo? Pois é, na lista norte-americana das melhores empresas para se trabalhar, nenhuma das 100 elencadas tem menos de mil empregados.

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