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domingo, 8 de junho de 2008

Investimentos

Não é novidade que o mundo tem mudado em ritmo alucinante, sob todos os aspectos, nos obrigando a aprender novas formas de fazer as coisas e encarar os fatos. Mas não podemos, sob este pretexto, desmerecer a sabedoria de nossos antepassados, pois muitas vezes é no passado que encontramos respostas para conduzir o presente e construir o futuro.

Nossos avós, por exemplo, tinham no quinhão e no conto de réis uma tradução de valor que muitos anos de juros e dezenas de planos econômicos nos fizeram esquecer. A moeda valia de verdade, tinha apelo financeiro e emocional. Ganhou zelo. E mesmo sem banco por perto, nossos antepassados faziam questão de guardar um pouquinho, enterrado no jardim, ou, na alternativa mais popular, deixando debaixo do colchão.

Nos últimos anos, a prática da economia voltou forte. Guardar um pouquinho todo o mês, abrir uma poupança, deixar uma reserva técnica na conta, para os tempos não tão fartos que possam surgir de repente, é uma atitude sábia. Mas e se confiscarem a poupança de novo? E se o banco falir? E se eu guardar em casa e for assaltado? Ou a casa pegar fogo?

Muitos que seguem a antiga tradição de economizar se esquecem que, em novos tempos, é necessário adaptar-se a realidade. Nossos antepassados não tinham aprendido a considerar plenamente um fator que hoje é condicionante: o risco.

Não existe lugar seguro no mundo. Isto é fato. Logo, não existe também um local onde guardar as economias sem se preocupar com elas. Uma vez que não há como deixar esta condição de lado, por que não trabalhar com ela? Esta proposta tem tomado força em nosso país. Não se trata mais de acumular. O negócio agora é “investir”.

Quando falamos sobre investimento, muitas pessoas ainda associam isto a uma condição exclusiva de empresários ou, como ouvi certa vez, “uma mania de gente rica”. Não é verdade. Empresas investem, e empresários investem, mas profissionais liberais e também empregados assalariados, autônomos e até mesmo aposentados.

Quando você investe, você está colocando seu rico e valioso dinheirinho em um lugar, na esperança que no futuro ele lhe dê determinado resultado. O resultado mais simplório que se pode querer deixando o dinheiro em algum lugar é que passado um certo tempo o mesmo dinheirinho ainda esteja lá, são e salvo.

Mas o que alguns não sabem é que, além de guardar este mesmo dinheirinho para tê-lo de volta igual, ele pode ainda voltar um pouquinho maior. E com um pouco de prudência, dedicação e, por que não dizer, sorte também, ele pode voltar até mesmo muito maior.

Então, o que fazer? Desmistificando alguns locais onde você pode guardar seu dinheiro:

- Dinheiro na conta: deixar ele lá é perder dinheiro. As taxas do banco e a inflação, mesmo que digam serem pequeninas, corroem seu dinheiro. Por exemplo, se você depositar hoje o valor de uma TV nova, e pegar este dinheiro de volta daqui a um ano, dificilmente conseguirá achar na conta um valor que ainda lhe permita comprar a TV.

- Poupança: tem alto grau de segurança, dificilmente alguém irá mexer nela. Mas as taxas de retorno são pequenininhas. Na mesma prática, significa dizer que você recuperou o dinheiro para comprar a TV, mas apenas perdeu tempo, pois guardar o dinheiro por este período trouxe segurança mas nenhum benefício além de recuperar as perdas com a inflação.

- CDB/RDB: de maneira bem sintética, são modalidades que atuam como se você emprestasse dinheiro ao banco e ele lhe devolvesse, ao final de determinado tempo, com juros. Como estas modalidades podem sofrer incidência de impostos, como Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), você corre o risco de não receber tudo aquilo que sonhava, aliás, dependendo do montante que investir, até receber menos do que emprestou.

- Imóveis: Muita gente prefere guardar seu dinheiro em forma de bens, como imóveis. Quem tem uma boa reserva, pode fazer bons negócios, pois é um bem que dificilmente se desvaloriza, a não ser que construam uma penitenciária ao lado dele ou achem alguma falha geológica no local. Tem baixo risco, mas você precisa ter mais capital para guardar, ter condição de manter os custos de manutenção e impostos, e lembrar que se precisar do dinheiro, o imóvel pode não conseguir ser vendido de uma hora para outra.

- Automóveis: esqueça. Pode ser qualquer coisa, menos investimento. Isto porque, com o tempo, além de IPVA, seguro e gasolina, haverá a manutenção e ele se desvalorizará rápido. Lógico que todos precisamos dele, e não quero desmerecer sua importância. Mas é necessário desmistificar e deixar claro que seus fins não tem relação direta com guardar dinheiro e ter retorno. Se ele representa sua ferramenta de trabalho, aí não estamos falando do automóvel em si, mas da opção Empresa, descrita mais abaixo.

- Consórcio: não se trata de um investimento, mas de uma compra onde você paga primeiro e recebe o bem depois. A vantagem é que geralmente se trata de juros menores que na compra direta parcelada, e você recebe o bem novinho após ter pago antecipadamente. Outra vantagem que muitos programas permitem é do recebimento em carta de crédito, permitindo que você escolha por receber outro bem que não o inicialmente acordado.

- Empresa: eis aqui um investimento interessante. Infelizmente muita gente pensa que só guardar dinheiro nela pode dar resultado, e colocam todo seu dinheiro em negócios, muitas vezes sem qualquer preparo ou conhecimento do mercado, e amargam perdas irreparáveis. Aposentados e profissionais que aderiram a planos de demissão incentivada cometem este erro, e na ânsia de fazer, não tomam cuidados mínimos. Usam a abertura da empresa como se fosse uma caderneta de poupança. Mas este investimento é vivo e mutável, e precisa de interação do investidor constantemente, quer ele trabalhe no novo negócio diretamente ou não. Geralmente bons negócios dão muito mais retorno que os investimentos acima descritos, quando bem geridos, mas além de impostos, tem uma bateria infinita de outras obrigações. Ou seja, pode dar mais retorno, mas o preço que cobra do investidor é ter coragem de correr maior risco.

- Ações: nunca se falou tanto disso no Brasil. E muitas pessoas ainda não sabem do que se trata. E, pior, profissionais do ramo fazem questão de dificultar a compreensão. Ações, nada mais são, do que papéis que comprovam que você também é dono de determinada empresa. Por exemplo: ao invés de abrir sua empresa, não prefere ser dono da Petrobrás? Ou da Companhia Vale do Rio Doce? Ou de alguma empresa de telefonia? Você pode. Através de uma corretora, que intermédia a compra pra você na Bolsa de Valores, você pode ser um dos donos destas empresas e de muitas outras. Como ganhar dinheiro com isso? De duas maneiras: você (a) fica dono por algum tempo, suficiente para que a empresa dê lucro, e este lucro será dividido entre os donos, ou melhor, sócios, o que incluirá você; ou (b) você espera ela ficar com a imagem melhor do que quando você a comprou, e aí vende ela por um valor maior do que o valor que você pagou na compra. Esta é talvez a aplicação de maior risco hoje, pois você geralmente não vai conhecer pessoalmente as pessoas que cuidam dos negócios da empresa. Além disso, ela pode acabar valendo menos com o tempo e você não conseguir que alguém a compre no valor que você pagou. E pior, ela ainda pode apurar prejuízo e os demais sócios acabarem por decidir injetar mais um dinheirinho para que ela se recupere, logicamente lhe convidando a contribuir. Porém, apesar dos riscos, boas compras e vendas tem construído patrimônios invejáveis pelo país, tornando muitos investidores milionários, o que comprovadamente lhe dá a alcunha de investimento de maior retorno.

- Fundos de Investimento: são a condição ideal para quem quer correr mais risco com menos risco. Ou seja, deixar o que fazer de verdade com o dinheiro ser decidido por quem entende disso. Na prática você dá seu dinheiro a um grupo gestor, que vai comprar ações, aplicar em CDB´s, negociar taxas pré-fixadas e pós-fixadas e se esforçar para ganhar da melhor maneira possível para você. Isto não significa que não haja risco de perder dinheiro, pois muitas vezes se pode acabar com o dinheiro em uma opção ruim. Mas pra quem quer ganhar um pouquinho mais que nas opções tradicionais, sem conhecer do mercado de ações, este é com certeza o melhor começo. Porém antes de colocar qualquer centavo no fundo, deve-se consultar as instituições, vendo o retorno que deram nos últimos meses, as taxas que cobram, as modalidades em que aplicam, os riscos envolvidos e os impostos que podem incidir sobre a receita gerada.

- Previdência Privada: funciona como os fundos de investimento, porém com algumas particularidades, de acordo com o gestor, a modalidade e o ramo de negócios. Na prática, você faz depósitos para um gestor periodicamente, e pode resgatar ao final de determinado tempo, o valor total ou uma contribuição periódica, muito utilizada como um complemento de aposentadoria.

Enfim, é importante pensar no futuro. A saúde financeira, seja ela familiar ou corporativa, é um assunto que deve estar vivo hoje em dia em todas as esferas. Para que nossas futuras gerações possam também olhar para o passado em perceber em nós iniciativas dignas de tradição.

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