Tendo vivenciado a realidade dos processos seletivos e projetos de profissionalização em diversos municípios, e pude evidenciar uma constatação muito triste: a expectativa de grande parcela do eleitorado pelo beneficio direto e imediato de terem seus escolhidos sido
elevados a categoria de autoridade. É comum, em entidades de recrutamento de profissionais, a mão de obra especializada, já escassa de maneira genérica no país, simplesmente sumir no início do ano, motivada por uma cultura informal de que a produção no país só é retomada após o carnaval. Agora, quando se trata de ano pós eleições, o fato crítico se torna ainda pior. Normal, por exemplo, em cidades do interior, e em cargos operacionais, selecionadores obterem a sinceridade estarrecedora dos humildes, que respondem ao convite para uma vaga ou um curso profissionalizante com recusa, justificando que preferem esperar antes de assumir compromissos, para ver se desfrutarão de alguma oportunidade alçada por seus candidatos, em alguma assessoria, ou órgão similar. Isto faz com que projetos acabem por ser prorrogados, processos seletivos se extendam, custos aumentem e consequentemente os resultados tenham que aguardar o segundo semestre, para agir com tentativas de recuperação.
Sei que muitos devem estar surpresos com tal constatação, mas afirmo com a propriedade de quem já externou sua indignação inúmeras vezes com este fator, que ele é real, e deve ser considerado de importância, pois só assim poderá ser combalido.
Podemos comparar a situação ao futebol. Neste momento do ano, o forte das notícias está na compra e venda de jogadores, fazendo com que os campeonatos que seguem seu rumo final comecem a perceber verdadeiras reviravoltas nas classificações, alguns melhorando, mas muitos piorando significativamente, ao perceberem seu plantel se desmanchar. E a pergunta que fica, é se foi no melhor momento, ou este processo poderia ter acontecido antes, dando tempo para existir o entrosamento, garantindo a performance e a expectativa dos resultados.
E a solução pode estar diretamente relacionada ao planejamento. Todas as organizações já findaram ou estão em pleno exercício de definir suas estratégias e incursões para o próximo ano. Porém, muitas das considerações, sobretudo investimentos, poderiam ser executadas ainda em 2010, mas em busca de melhores balanços, acabam ficando para o ano subsequente, e com isso podem vir a não se confirmar, sobretudo as do primeiro semestre.
Como uma das possíveis sugestões, devemos considerar que o fim do ano se aproxima e com ele a demanda ampliada do comércio por força do 13º salário, bonificações e participações em lucros. Esta demanda exigirá força maior de trabalho, permitindo a contratação de um contingente de bons profissionais. Sim, bons, pessoas alheias a eleições, ou copas, ou outros critérios, para definir sua empregabilidade. Pessoas que neste momento estão buscando se especializar, aprimorar conhecimentos e se dedicando por sua marca pessoal.
Se os processos de contratação levarem em conta não apenas o momento atual de demanda sazonal, efetivando não apenas mão-de-obra operacional temporária, mas buscar agora profissionais com potencial para desde já serem advertidos que sua performance de fim de ano pode ser revertida em contratação efetiva no início do ano que vem, e as organizações terão nas mãos uma estrutura alheia aos impactos imediatos da posse dos novos cargos políticos que se dará em 1º de Janeiro.
Enfim, é importante planejar, mas se antecipando ao mercado, para garantir superioridade frente a concorrência. E usualmente o melhor planejamento é aquele que perpassa a condição das equipes de trabalho, almejando torná-las times campeões, antes mesmo de começar a primeira partida do início do campeonato
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