
No país do futebol, nada mais natural do que recebermos apelos diários sobre as perspectivas, desafios e oportunidades que nos aguardam em 2014. A fala predominante na mídia, expressa um futuro incerto, com tantos questionamentos que nos parece algo muito distante. Mas por mais que consideremos que ainda há algum tempo para realizar ações de preparação, a bem da verdade é que tudo o quanto se projetar de agora em diante já estará fadado ao atraso. Isto porque sequer estamos certos da diferença entre o que é preciso fazer e do que é indispensável fazer. Assim, corremos o risco de pensar em tudo, fazer muito e acabar por deixar de lado algo importante.
Um dos maiores riscos que corremos nestas projeções é ficarmos condicionados a iniciativa do outro. Temos claro os anseios de infra-estrutura, as medidas públicas que deverão ser capitaneadas e o contingente que deverá ser posto em atividade para garantir a realização do evento. Mas as iniciativas de menor abrangência são tão ou mais importantes que as mega construções. E ainda são tímidas as iniciativas de porte local.
Um turismo massificado, composto por clientes exigentes e acostumados a viajar. Este desafio envolve ampliação e melhoria de trens e metrôs, reforma de aeroportos e adequação da malha viária, mas deve excluir o atendimento do pequeno varejista? O balconista cordial, o policial inteirado das localizações da cidade, o taxista falando inglês e espanhol, a lanchonete da esquina asseada e com equipe uniformizada, farmácias prontas para identificar pedidos de medicamentos diferentes de seu habitual, pessoas cordiais nas ruas e interessadas pela dificuldade daquele visitante....
Enfim, as pessoas que virão querem uma experiência de vida, da qual a partida de futebol é apenas um dos muitos ingredientes. O que é mais importante, uma saída de estádo rápida por meio de um trem bala, ou, no caso do trem não existir, um acesso seguro aos ônibus, acompanhado da polícia, por vias bem sinalizadas? Caso se entenda que a segunda opção, mesmo não sendo a mais importante tenha um grau de importância considerável, e teremos que considerar também que nem só de esferas federais, mídia e obras vive uma Copa do Mundo. São ações locais que vão garantir o sucesso mínimo do evento, e isto só se atinge com parcerias sólidas entre os diversos agentes do município.
Tive a satisfação de integrar na última semana a organização de uma destas iniciativas. Capitaneado pelo Senac, o evento integrou palestras e mesas de discussão que envolveram ao todo 12 entidades representativas da região da Zona da Mata Mineira, levantando idéias, trocando cartões e expondo em dois dias os principais desafios locais. Da hotelaria a gastronomia, da Prefeitura ao Varejo, os debatedores interagiram com amplo público de mais de 350 participantes, entre empresários, profissionais do trade turístico e estudantes.
As entidades presentes foram unânimes em perceber a importância da interação, onde cada mínima contribuição pode ter um papel decisivo para estar com sua região inserida ou não no destino dos mais de 3 milhões de turistas internacionais estimados para aterrisarem por aqui por força da Copa.
Sabemos que iniciativas similares já estão em andamento em diversos locais, regiões estas que saem na frente pela formação de um novo diferencial competitivo, composto não pelo atrativo turístico específico existente na cidade, mas por uma região rica, hospitaleira e agradável, muitas vezes composta por mais de um município, onde, para o turista, valha a pena ficar um tempo maior do que o habitual. Esta forma de ver uma região como um produto é uma tendência mundial, e que tem, por meio do Ministério do Turismo, formatado já há algum tempo, circuitos que se tornaram verdadeiras molas propulsoras na economia de diversos municípios brasileiros.
Assim, a Copa do Mundo, tal qual a Copa das Confederações e as Olimpíadas, devem deixar um legado significativo, não apenas para o segmento turístico, tampouco percebido apenas em obras e melhora na qualidade de serviços, mas em uma nova visão empreendedora, associativista, cooperada, fundamental para garantir futuras grandes realizações, e indispensável para compor os novos modelos de negócio. Deixamos de pensar em ter apenas um bom produto ou um bom serviço, mas precisaremos também de um bom apoio.Estaremos preparados?
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